terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Poesia nos ônibus. Adorei esta notícia!

Reproduzo aqui matéria do jornalista Luiz Cesar Fonseca, de Cambuí, que saiu no jornal Gazeta do Vale. Muito legal o tema. Parabéns aos que tiveram a iniciativa. Vale lembrar que projeto igual foi criado em Itajubá, pelo Ulysses, quando era vereador. As poesias seriam colocadas nos ônibus urbanos em Itajubá.




Olavo Bilac, Castro Alves, Manuel Bandeira, Gonçalves Dias, Augusto dos Anjos, Carlos Drummond de Andrade e muitos outros autores consagrados da literatura brasileira viajarão com os passageiros da Viação Princesa do Sul. O projeto ‘Circulando Poesia’ levará fragmentos das obras desses grandes poetas para dentro dos ônibus, possibilitando uma viagem mais agradável pela cidade e estimulando o acesso à cultura. A iniciativa partiu da parceria entre Academia Pousoalegrense de Letras, Academia Juvenil de Letras de Pouso Alegre e Viação Princesa do Sul.
As poesias serão divulgadas em cartazes afixados na parte interna dos 43 coletivos durante o mês de dezembro. Para o presidente da empresa, Rogério Bertoluci, o programa é um ótimo incentivo para disseminar a cultura entre os pousoalegrenses e lembrou que a idéia é pioneira na região.
A Academia Pousoalegrense de Letras (APL), a Câmara Municipal de Pouso Alegre, através da Academia Juvenil de Letras e a Viação Princesa do Sul acreditam que o projeto vai beneficiar a todos, uma vez que levará a cultura a milhares de pessoas que não têm acesso a ela, em suas viagens nos ônibus.
Os fragmentos das poesias foram selecionados pela APL, seguindo um rigor literário. De acordo com Horma de Souza Valadares Meireles, membro da Academia, o nome do projeto é sugestivo. “O povo circulando em um circular que circula poesia. Com o tempo, as pessoas vão entender que o momento do ônibus pode servir para absorver a cultura”.

*Com informações da Ascom/Câmara de Pouso Alegre

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

A angústia da generalidade

Vez e outra me bate uma angústia por ser tão generalista. A vida toda generalista. Tenho uma inveja daquelas pessoas que vão a programas de TV falar sobre um determinado assunto sobre o qual sabem pra caramba. Na minha vida de jornalista, sempre fui generalista. Na Folha, escrevia sobre tudo: cidade, saúde, política, até esporte eu me atrevi uma vez. É certo que a matéria ficou um samba do crioulo doido porque não entendo absolutamente nada sobre o assunto, não acompanho as notícias e não sei falar sobre.
Mas escrevia de tudo um pouco. Na verdade, todo mundo começa assim mesmo. A maioria fica assim pelo resto da carreira, mas alguns se especializam aqui e ali. Claudia Collucci, por exemplo, companheira de Folha, em Ribeirão Preto, especializou-se em reprodução humana e hoje é uma das autoridades - em termos de informação - a respeito. Galeno Amorim era, na mesma época, correspondente do Estadão, em Ribeirão Preto. Especializou-se em assuntos ligados à literatura e à leitura. E assim temos alguns parcos exemplos, aos quais invejo brancamente.
Depois assessorei escolas, entidades, políticos, orquestras, empresas.... Sempre com um leque variado de assuntos para trabalhar, sem aprofundar em um determinado.
Passadas muitas águas embaixo das pontes, tornei-me secretária de Governo, a convite do atual prefeito de Itajubá. Mais uma vez, generalista. Aquela que lida com todo tipo de coisa e com nenhuma delas a fundo. A convite do mesmo, virei secretária de comunicação e a história se repete.
No meio do caminho, entrei para a graduação de Psicologia. Meu objetivo era escrever sobre comportamento. Apaixonei-me pelo estudo do comportamento, graças também à minha excelente professora Gucha. Mas e quem disse que eu consegui, do alto dos quarentão, fazer uma nova graduação de cinco anos? Abandonei, apesar de que o pouco tempo de curso me abriu centenas de portas e janelas na cabeça.
Continuo hoje, 21 anos depois de formada em Jornalismo, com a lacuna da generalidade. O problema é que tanta coisa me interessa.... Um dia me acho!

sábado, 27 de novembro de 2010

Chico leva um pedaço de mim

Vou emprestar Grande Sertão pro meu amigo Chico do PT ler. Livro tem que correr mundo. "Leve ao Chico, o sertão do meu coração", João Guimarães Rosa. Na volta, a gente conversa mais.
Célia

Aprendendo com Riobaldo

(...) a gente carece de fingir às vezes que raiva tem, mas raiva mesma nunca se deve de tolerar ter. Porque, quando se curte raiva de alguém, é a mesma coisa que se autorizar que essa própria pessoa passe durante o tempo governando a idéia e o sentir da gente; o que isso era falta de soberania, e farta bobice, e fato é."


Eu tenho alergia à raiva. Igualzinho minha querida Ana Raquel, que não pode encontrar uma formiga que acaba no hospital, é a raiva a minha formiga venenosa. Entra pelos meus póros, entope minhas veias, até fechar a garganta. Raiva a gente tem que fugir dela. O melhor antídoto é o perdão. Mas é mercadoria custosa de se encontrar por aí. Tem que pelejar pra achar.


Acredito que uma hora dessas, acabo topando com ele por aí. Por enquanto, vou lendo e relendo as divagações tão reais de Riobaldo, autor do pensamento aqui de cima. 

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Alguém aí se habilita?

Estou tentando responder os comentários deixados aqui, mas não estou tendo sucesso. Alguém me explica como faço isso. Por enquanto, estou sendo sem educação e meus visitantes pensam que não estou dando bola para seus comentários. Socorro!!!!!!!!!

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Biblioteca não pode parecer velório. Silêncio!!!


Nos últimos tempos, a falta do quê fazer da nossa juventude tem sido uma das coisas que mais me incomoda. Fico abalada de ver que a moçadinha tem apenas botecos para frequentar nas cidades. Essa preocupação vem ao encontro de uma defesa que sempre faço de políticas de promoção da leitura. Você pode me perguntar: mas você acha que jovem gosta de ler, que trocaria uma mesa de boteco por um livro? Hoje, tenho certeza que não. Pelo menos, a maioria deles fica com o boteco, mas uma política pública que inclua no cardápio de uma biblioteca, atividades de lazer e cultura, música, entretenimento, certamente, atrairá a atenção daqueles que, por falta de conhecer coisa melhor, acabam se entregando ao ócio alcoólico social – que pode se agravar e todo mundo já sabe onde vai dar.
Os municípios podem sim criar bibliotecas públicas que funcionem como centros culturais e pontos de encontro da comunidade. Em vez de álcool, sirvam-se viagens pelos livros e pelas diversas manifestações da cultura, além da literatura. E que funcionem todos os dias da semana e do ano, à noite também. Basta querer e colocar na pauta de prioridade. E isso quer dizer: colocar no Orçamento e no Planejamento.
A biblioteca deve começar a atrair desde o menorzinho ‘ leitor’, antes mesmo que ele aprenda as letras. Ele vai aprender a ler um monte de coisas na vida. Ler oportunidades, criatividade. Ler o mundo que o cerca. A leitura é uma extensão da memória e da imaginação, com ela vislumbra-se a possibilidade de transformar o mundo, de melhorar a vida. Se cultivada desde cedo, certamente será mantida na juventude e na idade adulta. E todos têm a ganhar, em todos os sentidos: quem lê aprende a viver melhor a respeitar o mundo em que vive.
As bibliotecas costumam parecer uns velórios; tudo quieto, gente cochichando, aliás, os velórios costumam ser mais animados. E não deve ser assim: bibliotecas têm que ser vivas, dinâmicas, movimentadas, com atividades que formem leitores de mundo e não apenas os atendam.
Por bibliotecas vivas, mesmo que sem o dinheiro suficiente para proporcionar um espaço tecnologicamente sofisticado. Ler, seja lá como for, é que é uma sofisticação só!


quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Noite entre letras!

Irresistível. Quando descubro uma notícia dessas, fico louca para escrever a respeito. No blog Livros e Afins, que está entre os meus favoritos, li a notícia de uma iniciativa em Curitiba, em que 45 alunos de uma escola pública dormiram numa biblioteca. Sabe aquela mania que as crianças têm de querer dormir, em penca, na casa de um da turminha? Por aqui, chamam de noite do pijama. Tem escola que leva a molecada pra dormim na própria escola. Mas lá em Curitiba, levaram para passar a noite entre os livros.
Ah, que pena que eu não estava entre eles!!! Já imaginaram o que é passar a noite entre as estantes, escolhendo o livro que quiser para ler? Aposto que alguns deles vão escolher aqueles de histórias de terror, para contar em voz alta e matar todo mundo de medo. Se eu tivesse lá, faria isso.
E abrir um livro cheio de cores, ver bichos que nunca se viu em carne e osso, descobrir a cara que teria um Robinson Cruzoé, ver o namoro entre o gato malhado e andorinha sinhá? A noite toda desobrindo personagens, histórias fantásticas? Aposto que eles acordaram no dia seguinte com a curiosidade despertada, com os olhos brilhando (talvez vermelhos de sono), mas brilhando de ter passado uma noite intiera descobrindo e descortinando o mundo sem ter que nem sair do lugar.
Parabéns à essa iniciativa, que me faz ter saudade do projeto Letras para Todos, que criei enquanto exercia a função de Secretária de Governo em Itajubá. Saudade....... do Letras para Todos!