quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Juiz de Fora, lá vamos nós!

Ficarei alguns dias sem blogar. Nesta sexta, pela manhã, vou sair para conhecer Tiradentes e São João Del Rei. No sábado, rumo a Juiz de Fora, onde encontro meus colegas de faculdade, 21 anos mais experientes. No domingão, Belo Horizonte, aquela terra maravilhosa, para preparar os detalhes para a posse de Ulysses na Assembleia Legislativa, cuja solenidade acontecerá no dia 1º de fevereiro.
Serão tantas emoções!, como diria o Roberto.

Vida nova se aproxima!

A política, de alguma maneira, há tempos está próxima de mim. Como jornalista, o assunto é dos mais presentes na pauta. E como já tenho 21 anos de estrada, tenho uma vasta coleção de temas políticos, entrevistados políticos, polêmicas políticas na bagagem.
Em uma época, lembro-me de comentar com alguns que eu não gostava de política. Isso quando eu apresentava o programa Informativo 987, na Rádio Jovem FM, em Itajubá, e cheguei até a ser processada pelo ex-prefeito Chico Marques por conta da opinião de um ouvinte, que eu levei ao ar. Para mim, isso não foi nada agradável. Ter que me sentar, pela primeira vez, em frente a um juiz e em frente a quem tinha me denunciado, foi um momento de muito desconforto. Chico Marques, ao mover aquele processo, teria mirado a emissora e não a mim, mas quando percebeu que era eu, e não a emissora, a responsável pela informação que lhe ofendeu, retirou o processo. De qualquer maneira, foi um momento gravado de maneira negativa na minha carreira profissional. Dou razão a Chico Marques naquele processo. É preciso ser responsável pelo que se fala de terceiros, mesmo que, naquele caso, não tivesse sido eu, mas um ouvinte anônimo. Total responsabilidade minha. Aprendi na dor, apesar de sempre ter tido consciência disso, na teoria! 
Talvez por desconfortos desta espécie - apesar deste ter sido o único levado à Justiça - eu dizia que não gostava da política. Lembro-me também quando um dos costumeiros entrevistados da época, o ex-vereador Rodrigo Riêra contestava minha fala, dizendo: - Você gosta de política sim! Sob meus protestos, Rodrigo ouvia minha insistência: - Gosto não!
Hoje, tenho que dar o braço a torcer ao político Rodrigo Riêra, que, aliás, sempre reafirma sua paixão pela política desde os tempos de menino, segundo ele. É isso. Realmente eu gosto da política, mesmo sabendo que é um ambiente muito fértil para maus entendidos, péssimas intenções, meias palavras etc. Mas é também neste ambiente que estão todas as esperanças de uma vida melhor para todos porque ele está cheio também de gente bem intencionada, eficiente, gente do bem.
Começo, na próxima semana, o trabalho de coordenadora de comunicação do mandato de Ulysses, hoje Deputado Estadual. É mais um desafio pela frente. Já assessorei candidatos - ele, inclusive - vereadora e prefeito em Ribeirão Preto, deputado federal em Minas Gerais. Agora, é a Assembleia Legislativa de Minas que está na pauta do meu dia-a-dia. Ambiente novo, assuntos novos, gente nova! Agora sim, começará 2011 pra mim.
Entusiasmo não falta. Também não falta aquele frio saudável na barriga, de quem sabe a responsabilidade que tem pela frente. Estamos formando uma equipe que está com muita garra para fazer a diferença! Para a comunicação do mandato, nossa busca não será pela pura e simples divulgação do que está sendo feito. A comunicação pode muito mais: comunicação para promover, nas pessoas, a ampliação de sua consciência política, promover e estimular a educação política dos cidadãos, para a busca de uma vida melhor e mais autônoma.
2011 chegou e já chegou a todo vapor!




terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Ou isso ou aquilo!

Tem dia que não quero falar de nada, pensar em nada, nada fazer. É imensa a vontade de cair na cama e por lá ficar. Horas a fio. Dormindo, com a lua cheia no céu, uma trilha sonora já pronta sem que eu tenha que mexer um dedo sequer. Sem fome nem sede, sem celular, sem interfone e preocupação, sem projetos na cabeça, sem ideias mirabolantes para pensar em como executar.
Hoje, só tenho vontade de poetar, de ler Manuel, Mário, Carlos, Chico, suas palavras me dão uma sensação de estar de volta ao útero materno, onde tudo deve ser perfeito. Pra quem lê, dou de presente um soneto de Cecília.


SONETO ANTIGO

Responder a perguntas não respondo.
 
Perguntas impossíveis não pergunto.
 
Só do que sei de mim aos outros conto:
de mim, atravessada pelo mundo.

Toda a minha experiência, o meu estudo,
sou eu mesma que, em solidão paciente,
recolho do que em mim observo e escuto
muda lição, que ninguém mais entende.

O que sou vale mais do que o meu canto.
Apenas em linguagem vou dizendo
caminhos invisíveis por onde ando.
 

Tudo é secreto e de remoto exemplo.
Todos ouvimos, longe, o apelo do Anjo.
E todos somos pura flor de vento.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Homofobia, Hipocrisia, Humor de mau gosto!

O combate à homofobia está na pauta do dia. Hoje, por exemplo, está acontecendo um seminário internacional sobre o assunto, teve audiência pública na Câmara dos Deputados sobre o bullying homofóbico, tem campanhas em rede por todo lado, tem votação na Câmara sobre o direito do transexual mudar também de nome, quando muda de sexo, tem BBB apelando para este papo, cartilha do Ministério da Educação para tratar do tema na escola, parlamentares evangélicos gritando contra.... Ufa! Tem gente de todo jeito e todo lado falando sobre o assunto.
A Globo faz cara feia quando dá notícia de violência contra homossexuais. A emissora, claro, é contra qualquer tipo de violência. Só faz cara de paisagem quando a violência vem embalada numa super produção e dá Ibope, quando a violência vem disfarçada de programa infantil - que deseduca, desinforma, cria, violentamente, pessoas feitas para não pensar.
A violência contra os homossexuais, presente nos programas que os tratam de forma caricata, ridícula, essa não dá BO. Essa a Globo permite deliberadamente, debochada e conservadoramente. Homossexual em novela é bicha louca, afetada, ridícula. Em programas de humor, como o Zorra Total, então, é um assassinato ao bom senso, ao humor.
É chegada a hora em que homossexuais sejam inseridos nas tramas da ficção não de maneira panfletária, sem que seja preciso tratar o assunto como uma causa, uma bandeira... Mas que sejam personagens 'normais', cuja homossexualidade não seja a tônica da narrativa. Este aspecto deve ser encarado com naturalidade até que o seja na vida real. A vida imita a arte!

Para as comissões de formatura e quem possa interessar...

Tenho o prazer de publicar o texto enviado pela Hebe Rios, que atualmente, é Chefe de Redação da EPTV, em São Carlos. E eternamente amiga.

Dá uma tese falar no que se transformaram as cerimônias de formaturas de quem termina uma faculdade, seja pública, ou particular.
A festa convida e antecipa em convites o passo a passo do ritual que finaliza a etapa tão sofrida para estudantes e pais. Nada mais justo e tradicional. O problema começa justamente aí, na tradição.
Se convencionou que tudo deve ser cercado de pompa. Os convites são luxuosamente confeccionados, cheios de fotos produzidas e letras à altura do momento tão esperado - textos em prosa e poesia, homenagens e mensagens de agradecimento aos principais atores da nobre conquista, afinal estamos no país em que apenas 5 por cento da população consegue concluir o ensino superior. O cerimonial de cada etapa - missa, culto, colação de grau e baile também não foge a esta lógica. 
Estaria tudo bem se o formalismo, imposto pela tradição, tivesse a cara de quem fica submetido a ele.
Para a geração que rompeu, ou é fruto de quem rompeu mitos, tabus e amarras de comportamento, obedecer a etiquetas é pior do que uma camisa de força.
A formalidade excessiva não combina com o clima de desconcentração que marca a festa. No mesmo espaço da pompa se desenrola uma gritaria sem fim, que não respeita as regras da tão desejada tradição. Digo desejada porque no fundo todos querem essa forma de comemorar, caso contrário não teriam investido em mensalidades para a comissão de formatura. Outros talvez desconheçam uma forma melhor de ritualizar a conquista. O fato é que essa palhaçada dá lucro. As empresas responsáveis pelo "mercado das formaturas" insistem em manter um cerimonial totalmente desconectado do comportamento estudantil, sem o mínimo constrangimento pela incoerência. Ao mesmo tempo em que se desfila em traje, gesto e palavra o rigor cerimonial em uma colação de grau, ou em uma valsa, a platéia e os formandos se manifestam como se estivessem em um campo de futebol. O canudo, símbolo da conquista, mas vazio, já que o diploma é entregue sempre bem depois da formatura, explicita essa absurda falta de sentido.
Para muitos a festa é mesmo o momento de desabafar, de colocar os bichos para fora, literalmente. Um aval para o bixo (calouro) se transformar em bicho (formando). Do ritual do trote ao ritual da formatura a diferença é apenas uma questão de mercado. O que se fatura com o ritual de iniciação, a comemoração espontânea, não se compara ao de conclusão, essa mistura de formalismo arcaico e escracho.
Para mim falta alegria e sobra alegoria. A festa de formatura seria muito melhor se perdesse em pompa e ganhasse em conteúdo e simplicidade. 
Talvez assim esse momento e quem participa dele ganhassem de fato a importância que merecem.



EPTV    
Hebe Rios do Carmo
Chefe de Redação
Emissoras Pioneiras de Televisão
(16) 3363-6465
Antes de imprimir pense no seu compromisso com o meio ambiente.


sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Quem é fonte de informação?

Fonte de informação é uma coisa delicada. Qual a diferença daquela pessoa que, por ser credenciada para tal, fornece INFORMAÇÃO para a imprensa, e aquela que tem uma opinião sobre alguma coisa e é ouvida como fonte?
É importante ter cuidado com isso pelo bem do público. É comum um cidadão, por exemplo, ir pra um veículo de comunicação e dar a sua sugestão: - acho que a ponte deveria ser construída assim, assim... o trânsito deveria ser assim ou assado .... deveria ter remédio em tal ou tal lugar...... a Justiça deveria fazer isso e aquilo... a empresa devia aumentar o salário em tanto..... enfim, as pessoas têm o direito de manifestar sua opinião e dar sugestão sim. Cabe ao veículo de comunicação, porém, trabalhar essa opinião ou sugestão como tal, não a tratando como se isso fosse a informação.
É preciso separar os espaços: um para a opinião, reclamação, sugestão de leigos.  E outro para quem tem credenciamento e propriedade para informar.
O melhor de tudo mesmo é colocar bem próximas essas duas coisas: assim, o leitor/ouvinte/telespectador reclama, sugere.... e o responsável oficial por aquele assunto dá a sua informação.
A imprensa não pode ir além disso, assumindo um papel que não é dela. Ela tem, sempre, que mostrar todos os lados de um mesmo assunto. Se o caso é reivindicação salarial de uma categoria, por exemplo, é obrigatório ouvir os que reivindicam e também a empresa. O público que faça seu juízo, ele que forme sua opinião sobre o caso, concordando com os trabalhadores ou compreendendo a posição do empresário.
Sempre questiono sobre até onde a imprensa pode ir e sobre qual é o seu verdadeiro papel. Tempos atrás, ouvindo a Rádio Itajubá AM, vi um caso típico de exagero, de extrapolar a função. Uma ouvinte ligou dizendo que a mãe tinha que fazer consulta, exame ou algo parecido, mas não tinha condições de ir ao local. Realmente isso é um problema sério e grave. Mas o radialista, com a boa intenção de ajudar – acredito eu –  apelava para o poder público de forma enfática dizendo: tenho certeza que a Prefeitura vai ajudar, que vai mandar um carro buscar a sua mãe, eu vou falar na Prefeitura agora porque isso é um absurdo, a senhora não tem condições de ir ao exame....
Tenho noção clara da dificuldade das pessoas, mas acho temerário que a imprensa assuma esse papel de reivindicar sem saber se há estrutura e condições para isso. Cria-se uma ilusão de que o caso será resolvido e sabemos que o poder público tem limites muito estreitos. Muita coisa não pode ser feita. Seria ótimo que ele pudesse resolver tudo na hora e a contento. Mas não é assim. Por isso, é fundamental que a busca maior do poder executivo seja pela autonomia das pessoas. Assim, elas podem assumir a rédea de sua própria vida sem depender de ninguém.
Outro caso que muito me chamou a atenção foi uma matéria – que não me lembro onde vi – em que uma moradora de um bairro dizia que a presença de antenas de telefonia celular estava fazendo aumentar a incidência de câncer nos moradores. Até arrepiei quando eu vi aquilo nas páginas do jornal. Essa moradora tem credenciamento para falar isso? Sabemos que este assunto é objeto de pesquisas sérias, sabemos também que há interesses trilionários envolvidos nisso, mesmo assim, olha só o pânico que essa matéria poderia ter provocado?
Todo cuidado é pouco! Todo cuidado, eu diria, ainda é insuficiente.




quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Ribeirão Preto proíbe balanga peito!

"Ribeirão Preto proíbe balanga peito", dizia a manchete do jornal Notícias Populares, em uma edição de 1990. Este caso é a síntese da relação conturbada que, muitas vezes, ocorre entre repórter e editor e/ou linha editorial do jornal. Essa matéria foi escrita por mim, quando eu trabalhava na Folha de São Paulo. Os assuntos mais 'apelativos', o Notícias Populares pegava, dava aquela editada básica, pra ficar com a cara da linha editorial do jornal, e publicava sem pudor. O Notícias Populares era do grupo Folha, por isso, havia essa promiscuidade toda.
A matéria, que eu fiz para o Folhão, tratava de uma portaria baixada na extinta Ceterp (Centrais Telefônicas de Ribeirão Preto) determinando que as telefonistas estavam proibidas de trabalhar sem uso de peças íntimas. Isso foi escrito num cartaz e afixado nas paredes da empresa. Pra quê. Jornalista que fareja uma pauta apetitosa como essa não perdoa.
À época, entrevistei o diretor da empresa, a chefe do departamento, algumas telefonistas. Matéria corretinha, todos os lados ouvidos. O texto foi, inclusive, lido pelo Jô Soares, em seu programa.
Mas, no dia seguinte, o Notícias Populares publicou com aquela apelação toda. Com que cara você olha para seu entrevistado depois que a entrevista dele foi publicada em tom de palhaçada? Pois é: dane-se o repórter. O que vale é vender jornal.
Assim como este, passei pelo mesmo vexame outras vezes. Noutra delas foi uma matéria que fiz na Fazenda Lagoa da Serra, que cuidava de reprodução de animais. Fiz o texto para a Folha sobre a profissão de inseminador. É aquele cara que se encarrega de colocar o sêmen de um animal dentro do corpo da fêmea. Adivinhem como é que o NP publicou: "Punheteiro de boi....." Mais uma vez, minha cara foi no chão. Tive o maior zelo ao conversar com o senhorzinho que tinha essa tarefa nada fácil para que, no dia seguinte, ele estivesse sendo chamado de punheteiro.
E o pior é que a pessoa pensa que foi você quem escreveu assim. Em outro caso, foi na própria Folha mesmo. Fui fazer uma reportagem em Cássia dos Coqueiros, que era a menor cidade da luxuosa região de Ribeirão Preto. A ideia era mostrar como se vivia numa cidade que tinha apenas um orelhão, uma farmácia, um isso e outro aquilo. O meu editor deu um título que me rendeu até moção de repúdio na Câmara Municipal da cidade: Dizia ele na manchete da capa: Cássia dos Coqueiros tem mais gado que gente.
Recebi, de verdade, ameaça de uma mulher que disse que faria justiça com as próprias mãos. Me livrei dessa, graças a Deus.
Nem sempre pacífica, a relação editor x repórter tem que respeitar os limites da ética, do bom senso e do respeito às pessoas. Aliás, a imprensa tem que respeitar seu leitor e seu entrevistado. Diminuem-se as chances de isso dar BO.