domingo, 13 de fevereiro de 2011

Outras lágrimas nos bobos olhos!

Sinto como se meus filhos estivessem de visita. E é chegada a hora de irem embora, saírem pro mundo, serem eles mesmos. Quanta dor isso traz! É como parir de novo, romper o cordão, urrar de dor!
- Corram, meus filhos, que a vida não espera. É uma Primavera e vocês não podem perder. Eu só teria a minha agonia para lhes oferecer!
Experimento, neste momento, outras lágrimas nos bobos olhos. Lágrimas de emoção, de tanto amor que guardo eu meu coração. Amor por Caio e Ivan, que parece arrombar meu peito.
Partam cantando, sem nunca perder de vista o amor que os fez nascer.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Quem será o próximo prefeito de Itajubá?

Vira e mexe me pego pensando: pensando em como será a próxima eleição municipal aqui em Itajubá. Dia desses, amigo meu disse que essa cidade é o fim do mundo. Não penso assim. Itajubá é uma cidade fértil, onde muita coisa precisa ser feita. Pra alguns, a falta das coisas é desanimadora. Pra outros, a falta de algo é um estímulo, um incentivo para buscar que as coisas sejam feitas.
Digo coisas quando quero dizer o quê fazer, vida cultural interessante, oportunidades de trabalho, enfim, de coisas.
Bem, mas voltando ao prefeito, temos menos de dois anos para decidir qual será o futuro próximo. A quem entregaremos a batuta? A um maestro medíocre, que, por mais que tenha bons músicos, terá uma orquestra medíocre? A um maestro competente, que conseguirá tirar bom som de músicos medíocres? A um maestro brilhante que tirará excelente som de músicos também brilhantes? Nós é que vamos escolher a qualidade do som e o repertório.
Temos nomes circulando na praça. "Tão falando no Vadinho!", como diria minha amiga Nilda Bitencourt. Circulam nomes como o de Chico Marques (que encontrei na porta da Assembleia, em BH, recentemente), Jorge Mouallem (que também encontrei na porta da Assembleia, num papo amigável com o Bala. Estranhei, mas acontece!), alguém do PT, Renato Nunes, Leandra, Rodrigo Riêra (que já declarou abertamente que está no páreo), Raimundo Silva..... "Tão falando tanta coisa no Vadinho!".
Bem, mas estou ansiosa para saber como ficarão as alianças, como o atual prefeito angariará apoio para tentar a reeleição, quem se unirá em torno de quem.
Quem viver, verá!
PS: De acordo com comentários no meu facebook, mais nomes na lista dos prefeitáveis: Paulino, Doutor Ricardo... Assunto palpitante!
Outro PS: Zezinho Riêra apontou a ausência de Ulysses, como se eu o quisesse livrá-lo do tiroteio. Nada disso. Ulysses é evidentemente um norme forte, aliás, fortíssimo, na minha opinião, mas não creio que vá se candidatar por agora. E do PT, temos também Laudelino. A lista está engrossando. Júlio Anselmo, em comentário abaixo, citou professor José Luiz.
Quem viver, realmente, verá!

O que me faz companhia

Poesia me faz companhia. Música também. Mas gosto de gente perto para dividir tudo isso. Um bom vinho, um tango de Piazzola ou Chico na vitrola. Livros perto da mão, cheirinho de sopa, de cafezinho, de cera no chão. Se tiver uma chuvinha na janela então.... Eta vida besta!!!!
Pra este sábado à tarde, com cara de que vai chover de mansinho, aqui vai uma poesia de um autor moçambicano que me foi apresentado (não pessoalmente) dia desses: É Mia Couto, que escreve assim:

Para Ti

Foi para ti
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo

Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que talhei
o sabor do sempre

Para ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um só
amando de uma só vida

Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"

Eu não quero ser só!

Tenho que me acostumar a viver mais só. Meninos não mais meninos. Companheiro em viagem. Isso tem sido cada dia mais comum aqui em casa. E eu, desconfortavelmente, experimentando a sensação da solidão, de quem fugi minha vida inteira.
Para os mais próximos que, porventura, tenham condições de cuidar de mim, um pouco que seja, quando eu estiver bem velha, meu aviso precoce: nunca me deixem só. Quando eu não mais tiver condições, me ponham numa casa movimentada, cheia de gente de todo tipo, que veio de todo lado, com histórias diversas de vida. Quero ir prum asilo, daqueles bem animados, com velhinho maluco, velhinha que ficou esclerosada e fala palavrão bem alto, kkkkkkkkk. Acho que me divertiria. E não vou me sentir abandonada pela família coisa nenhuma. Quero sociabilizar sempre, eternamente. 
É urgente mudarmos nossa cultura, de apego familiar. Velhinhos ficam bem entre velhinhos. Assim como deixamos as crianças na creche e os mais crescidinhos na escola, velhinhos também podem ficar em espaços adequados para sua condição, sua idade, seu cuidado. Não é sinal de abandono, é afeto também.
Já tô avisando: eu quero ir pra um asilo, que poderia, muito bem, mudar de nome e conceito. Devia chamar, por exemplo:  Bar Esperança,  Prá lá de Marakesh, Túnel do Tempo........ Aceito sugestões para minha e nossa morada.

Meu coração restou cheio de coisas movimentadas!

- Pelo jeito, 'minina', nada de atualizar o blog por esses dias, não é? Vai desistir?, pergunto eu pra mim mesma.
- Vou não. É que, nesses dias, as coisas foram muito movimentadas e eu chegava só no bagaço em casa. Aí a coragem dava lugar pra uma preguiça de dar gosto.
Voltei pra rádio, comecei o trabalho na coordenação da comunicação do Ulysses, semana cheia de novidades, emoções, primeiras vezes... Guimarães Rosa sabia que meu coração, esta semana, restou cheio de coisas movimentadas. Mas como "tudo me quieta, me suspende e qualquer sombrinha me refresca", já estou nova em folha para blogar. O difícil é escolher qual das coisas desta movimentada semana merecem e podem vir pra este espaço aqui.
Bem, vou começar pela rádio. Ô que delícia que foi! Recebi tantas mensagens de boas vindas que fico morrendo de dó de mim de ter que deixar o programa. Mas como já tinha dito aqui, com o novo trabalho de coordenação de comunicação, não terei condições de fazer programa diário. É puxado! Estou pensando num programa semanal, pra falar de política e de outras coisas movimentadas. Sei lá, vamos ver!
Recebi no estúdio uns meninos que dão bom exemplo, como voluntários de cursinho pré-vestibular assistencial. Muito legal esta iniciativa de proporcionar o ensino a quem não tem dindin pra pagar um cursinho particular. A gente sua pra pagar a mensalidade! Um dos tais meninos é egresso de um cursinho desse e hoje, aluno da Universidade Federal de Itajubá. Nota 10 pra essa galera! A Prefeitura bem que podia dar mais condições para eles trabalharem.
O comandante do agora 56º Batalhão da PM, Tenente Coronel Diovanny Ribeiro, sentou-se a minha frente também para falar dessa mudança de companhia pra batalhão. Desde que voltei a viver em Itajubá, isso já há mais de 10 anos, havia essa expectativa. Quero ver, agora, quem se apropriará deste feito. Isso acontece!
Falei também de Carnaval, de água e esgoto, de emprego, de trânsito, de política... Na próxima semana, vou colocar o twitter na área, para receber perguntas e comentários de ouvintes. O meu é twitter.com/celiarenno. Foi sugestão de um amigo, que me acompanha atentamente e briga comigo quando acha que eu podia ter dito o que eu não disse no ar. Isso acontece!
Na coordenação da Comunicação do Ulysses, contagiei a toda a equipe com a 'ferveção' que fica minha cabeça. Saem todos, das reuniões, com as tampas das chaleiras pulando sobre as cabeças. Muita ideia, muita ânsia de fazer coisas bacanas, energia de sobra para arregaçar as mangas e fazer um trabalho sério e digno. E criativo! Até porque eu não aguentaria trabalhar mornamente. Sou fervida por natureza.
É tempo do verde em meu coração. De uma alegria de juventude, de um frio na barriga mais de contentamento que de medo. "Hê, de medo, coração bate solto no peito: mas de alegria ele bate inteiro e duro, que até dói, rompe para diante na parede."


sábado, 5 de fevereiro de 2011

De volta ao rádio! Terça-feira é o dia!

Já tive a oportunidade de dizer aqui o tanto que eu gosto de apresentar no rádio. É uma rotina sem rotina. Todo dia na mesma hora, no mesmo local, com o mesmo tempo. Faça chuva ou sol, deu a hora, você entra no ar. Mas é também um sem-rotina frenético porque, a cada dia, o mesmo ambiente é cenário de um assunto completamente diferente do outro. Assim, no estúdio, entra vereador, sai sindicalista, entra prefeito, sai professor, entra padre, sai estudante, entra esse, sai aquele...
Todo dia, apesar de alguma experiência acumulada, sempre senti um frio na barriga antes de entrar no ar. Medão de errar na dose, de afinar na hora em que é preciso ter energia pra perguntar. Medo tremendo de perguntar já afirmando. Rotina, pra mim, é frio na barriga.
Estou há uns três anos fora do ar. Fora do ar só no rádio porque ando ligada sempre. Muitas vezes, no 220.
Na próxima terça-feira, começarei a matar um pouco da saudade do meu tempo na 'latinha'. A convite de José L. Mafra, diretor da Rádio Jovem FM, volto a apresentar o Informativo 987. Mas temporariamente, até que chegue o novo profissional para assumir o programa que ancorei por cerca de 5 anos.
Estou ansiosa para saber como será essa nova rotina. Não sou mais a mesma de ontem, alguns personagens da cidade não são os mesmos - assim como minha relação com eles - quem ia à rádio naquele primeiro tempo como oposição ao poder constituído, hoje é situação. Frio na barriga, muito frio.  
   

domingo, 30 de janeiro de 2011

Oh, Minas Gerais! Quem te conhece ...

Acreditem, eu não conhecia nenhuma cidade histórica mineira. A mais antiga por onde já tinha passado deve ter sido Barbacena. Neste fim de semana, porém, visitei Tiradentes e São João Del Rei. Socorro!!!!!!!!!!!!!!!!! O que que é isso, minha gente! Fiquei alucinada com Tiradentes, com suas ruelas, pedras, a maravilhosa Serra de São José, fazendo a cidadezinha parecer uma ilha cercada dentro de um forte, a ferrovia, a história encravada em cada canto, em cada rua. Me apaixonei perdidamente por Tiradentes a ponto de achar que nunca mais serei a mesma depois de ter visto de perto aquela belezura.
Visitei a cidade numa época em que a cultura estava fervilhando. Foi a 14ª edição da Mostra de Cinema Brasileiro, que reuniu milhares de visitantes, cineastas novos e velhos, curiosos, estudantes, crianças. Emocionante assistir à apresentação dos resultados das oficinas que as crianças fizeram durante a semana. Fotografia, vídeo, teatro, tudo de arrepiar.
Enquanto isso (na sala de Justiça), fiquei pensando na minha própria cidade, Itajubá, onde eu gostaria muito de ver algo semelhante, em termos de estímulo à produção local de cultura. Tenho certeza que as crianças que participaram das oficinas em Tiradentes terão, a partir dali, um novo olhar para o mundo. É assim que eu acho que as coisas devem ser: dar oportunidade e condições para que as pessoas se manifestem através das várias linguagens da arte. Oferecer espaço para que a cultura local se fortaleça. Esse é o verdadeiro papel do poder público.
Não desdenho de iniciativas como a que tem tido a Prefeitura de Itajubá em oferecer shows a preços subsidiados para a população, por ocasião da feira agropecuária. É bom sim ofertar entretenimento - independente aqui da qualidade disso - mas é indiscutívelmente melhor e mais importante para uma cidade que os moradores comuns, de todos os cantos dela, tenham condições reais de criar a sua prórpria história cultural: é preciso estimular crianças, jovens e adultos a aperfeiçoarem suas produções e a mostrarem para o público. E a cultura também dá dinheiro, é uma atividade econômica que transforma a vida de quem faz e de quem recebe.
É isso! Viva Tiradentes! Viva o Cinema Nacional. Vivam as pessoas que percebem a importância da cultura para a transformação da sociedade!