quarta-feira, 2 de março de 2011

A Prefeitura pode construir um cinema?

Não, não pode. Isso porque não tem recursos para isso. São tantas as necessidades de Saúde, Obras, Assistência Social, enfim, que as prefeituras, de um modo geral, não conseguem construir teatros, centros culturais... Cinema, então, eu nunca ouvi falar de algum que seja público. Pode ter algum impedimento legal também. Não acredito que tenha.
Mas, como disse na rádio hoje, o que as prefeituras não conseguem executar - seja por questões financeiras ou legais ou até de finalidade mesmo - elas podem sugerir que outros façam. A meu ver, a Prefeitura tem um papel de articulador de outras forças, de colocar numa mesma mesa outros atores para conversar e, assim, ver acontecer o que ela própria não pode realizar.
Se o interesse coletivo é que está na pauta do dia, a Prefeitura pode sim usar de sua rede de relacionamentos, para atrair as 'coisas' para a cidade. Assim como faz para atrair empresas, que dão emprego para os habitantes, a Prefeitura pode atrair grupos que queiram e tenham condições de construir um cinema. Oferecer lazer e cultura é também um dos papéis de uma administração.
No programa de governo do atual prefeito de Itajubá foi incorporada a proposta do PT de criar o programa Cinema na Rua. Ainda não aconteceu, por várias dificuldades. Vamos ver se até o fim do mandato, sai do papel e ganha as ruas. Estou na torcida, como membro atuante do MSC (Movimento dos sem Cinema).
É isso!

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Que saudade do Cine Presidente de Itajubá!!!

Ao escrever meu texto postado agora há pouco, fiquei lembrando de quando Itajubá tinha cinema. Já foram vários, enchiam os dedos de uma mão, o que não era pouco para uma cidade deste tamanho. Agora temos nenhum. Nenhumzinho sequer para que a gente possa se arrumar pra sair de casa, comprar uma pipoca na porta, viajar na trama do filme, namorar no escurinho... tudo de bom! Lembro-me quando saía do Cine Presidente depois de um filme e parecia que a cidade estava diferente. Eu é que estava diferente. Na sala de cinema, é só você e o filme. Não tem campainha tocando, vizinho gritando, alguém te pedindo alguma coisa. A hora do filme dentro do cinema é a licença que a gente tira para poder pensar, sonhar, se emocionar.
Quanta saudade do Cine Presidente e também do Alvorada. Se não estou enganada, a última vez que fui lá foi pra ver Barbra Streinsand, num filme em que ela era cantora. Nem lembro mais o nome. Algo como estrela (star), sei lá. Só sei que a estrela daquele pedaço hoje é o Magazine Luisa, vendendo cada vez mais aparelhos de TV, pra que as pessoas não sintam saudade do cinema.
Mas eu sinto. E principalmente do Presidente, onde eu ia mais. A última vez que fui lá foi pra ver O Sexto Sentido. Não sei não, mas meu terceiro olho está vendo que aquele tempo bom não volta nunca mais. Tivemos uma promessa esperada de que o Shopping Vila Nova teria duas salas de cinema. Puseram água na boca da gente e até agora, nada.
Pipoca, beijo na boca, o lanterninha, a Bala Chita..... Eu era feliz e não sabia.

Os jovens não têm mais o que fazer?

Não, não tem. Jovens, em cidade como Itajubá, não têm nada o que fazer. Já disse isso várias vezes neste espaço porque é, realmente, uma coisa que me incomoda demais. Na falta de algo útil a se fazer, é claro, caem na gandaia. Eu sei que tem época pra tudo, que o início da juventude é um mundo de delícias e altas descobertas, hormônios à flor da pele, sexo começando a ser possível, curiosidade sobre tudo o que tem por aí. E a droga reinando poderosa nesse meio, fazendo de reféns aqueles que não têm outras coisas mais interessantes pra curtir.
Os municípios precisam de políticas públicas para a juventude, que envolvam a Cultura, a Educação, o Esporte, a Promoção Social, o Meio Ambiente, enfim, tudo pode ser articulado e conectado para ações coordenadas que ofereçam uma alternativa à droga. Não adiantam ações isoladas e temporárias. É preciso um sistema completo, integrando todas essas áreas citadas, pegando os meninos e meninas em todos os aspectos e ambientes que eles possam estar.
Itajubá não tem teatro, nem oficinas. Não tem cinema. Não tem, por exemplo, espaço público em que essa meninada possa aprender a tocar um instrumento, possa aperfeiçoar os passos de dança de rua. Não tem um espaço em que a moçada possa se divertir sem que seja a mesa de um bar. Fica difícil concorrer com o ócio, vizinho da droga.
Essa história é, realmente, uma droga!

   

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

É tempo do verde em meu coração!

Pára o mundo que eu quero descer. Hoje está sendo um dos dias mais felizes da minha vida. Meu filhotinho mais velho (ah, tão novinho, praticamente um bebê), foi aprovado na Universidade Federal de Itajubá, depois de amargar uma angústia danada na fila do SISU. Agora, além de fila do SUS, tem fila do SISU também. Mas, eita fila boa essa, quando chega a nossa hora.
É a hora do Caio. O primeiro ano do resto da vida dele. Eu estarei sempre aqui, ao lado, pro que der e vier.
Sempre tentei estar atenta a tudo o que se passava com meus filhos. Mas tive e ainda tenho muita culpa por ter me dedicado tanto ao trabalho, ao longo desses 20 anos de profissão, tendo que deixá-los, muitas vezes, sem mim. Meu coração esteve sempre ao lado, mas minha presença física nem sempre. E isso, em alguns momentos, me corroía de dor.
Apesar de ter tido pouca quantidade, no limite do que minha vida permitiu - o que ainda hoje é assim - espero que a qualidade de minha relação com meus pequenininhos lhes sirva por toda a vida. Com ou sem mim.
Que respeitem os outros, não agridam ninguém, que gostem de conviver com as diferenças, sejam solidários com quem precisa, que sejam otismistas, tenham fé na vida, tenham amigos em quem confiar, que creiam em Deus - seja qual for a forma que se queria dar a Ele - que tenham ética na profissão e na vida, que sejam felizes e façam os outros felizes também. É a semente que quis plantar, ao lado do Luiz, o pai mais doce que alguém pode ter. Os dois tiveram a mesma sorte que eu, com meu velho e, hoje, tão sofrido pai.
Fica aqui compartilhada com todos a minha alegria, meu orgulho pelos meus filhos. Ivan, seja feliz sempre. Caio, meu querido, parabéns! Estou sempre aqui.



terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Diário de Anne Frank, perseguida pelo trabalho! Corra Lola, corra!

Tem gente que eu vejo andando devagarinho pela rua, que dá até gosto. É a senhorinha que vai, calmamente, à padaria; a outra que volta de uma volta pelo centro, onde foi para olhar as vitrines; tem ainda a outra que sai da igreja e volta para casa para preparar o jantar pro marido. Passo após passo, num ritmo de dar inveja (às vezes, só).
Não sei se algum dia eu serei vista assim, caminhando apenasmente. Eu, geralmente, caminho sempre por algum motivo: é pra ir de um trabalho ao outro, para suprir a casa de mantimentos, para participar de uma reunião, para tentar emagrecer, para isso isso e mais isso. Ufa!!! Pernocas pra que te quero!
Hoje, por exemplo, a coisa foi 'braba': 6 da madruga, o despertador grita e nada há mais a se fazer além de levantar a carcaça e sair pra lida. A rotina começa. Atende o filho que sai pra escola, banho, café, internet para se informar, atualizar site, levanta, corre, entra na rádio, entra no ar, sai do ar, corre, almoça, escritório político, visita em imóveis, reunião na escola, colaboração para um projeto cultural. Socorro!!! Já são mais de 22h. E pensa que acbaou? Nada. Comida pro filho - aquele que pulou da cama às 6 - blog, emails, bate papo virtual, receber o marido para prosear sobre como foi o dia...........
Quero colo!!!!!!

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Livros só mudam pessoas!

Transcrevo, abaixo, um texto que eu retirei do blog 'Livros só mudam pessoas', sobre a importância de se cultivar o hábito da leitura. Queria que Itajubá tivesse uma biblioteca viva, cheia de atividades de incentivo à leitura. Uma não. Muito mais que isso. Uma biblioteca que tivesse braços itinerantes, que pudesse ir buscar o leitor onde ele possa estar. O potencial leitor.
Queria eventos ligados ao livro, projetos de distribuição deles, livros na rua, gritando, chamando leitores por todos os lados. Ah, essa é a cidade que eu sonho!

Vale ler este texto, assim como vale conhecer o projeto da Colômbia, que se chama Rede Capital de Bibliotecas Púiblicas, de Bogotá. Maravilhoso!


Embora haja conquistado alguns avanços no setor da educação, o Brasil ainda se encontra longe do patamar louvável de qualidade na escola pública. Registra-se, sobretudo, notória omissão no sentido de se incentivar os alunos no encaminhamento ao hábito da leitura, com o objetivo de neles desenvolver a capacidade de compreender diversificados tipos de texto. Recentes avaliações comprovam que, em países líderes na tabela do Programa Internacional de Avaliação de Alunos, entre eles a Finlândia e o Canadá, o hábito de ler decorre, principalmente, do estímulo recebido em casa e da influência exercida pelos pais e familiares.
Um exemplo preciso da eficácia desse produtivo estímulo vem da Coreia do Sul, país que há 60 anos detinha elevados índices de analfabetismo. Para superar o problema, foi introduzida uma reforma educacional que incluía a leitura como item fundamental ao desenvolvimento do ensino de alto nível. Empresas, fundações e as próprias famílias se reuniram em torno do projeto, merecendo registro especial o fato de que uma das maiores redes destinadas à educação, denominada Crianças e Bibliotecas, nasceu da iniciativa de um grupo de mães resolutamente decidido a aprimorar os conhecimentos e as aptidões de seus filhos. Os excelentes resultados não se fizeram esperar: a Coreia do Sul atualmente ocupa uma das lideranças na aferição do Programa Internacional de Avaliação de Alunos.
No Brasil, lamentavelmente, o apego aos livros não é cultivado nem mesmo em meio a alguns mestres. Partindo da premissa de que todo tipo de leitura é válido e contribui, cada qual a seu modo, para a ampliação do discernimento cultural, é constrangedor constatar que são ignorados, por inúmeras escolas, tanto os clássicos da literatura nacional e internacional quanto jornais, revistas e, até mesmo, “blogs” da Internet, todos eles portadores de inegáveis parcelas de contribuição ao costume de ler.
Como já não existe o estímulo em casa, a atuação ineficiente de algumas escolas praticamente em nada contribui para atrair a atenção dos estudantes em relação aos livros. Os analfabetos funcionais se multiplicam, portanto.
Em outros casos, entretanto, ocorre o inverso. Os professores podem exigir além do recomendado para faixa de conhecimento e tornar improdutiva a leitura de obras clássicas pela difícil compreensão, inadequadas para a faixa etária das crianças e adolescentes para a qual elas são prescritas. Às voltas com um livro cujo conteúdo escapa à natural capacidade de entendimento da sua idade, os alunos terminam por rotular de “chata” a literatura como um todo, algo visto como uma obrigação enfadonha e não, como a forma inesgotável de entretenimento e descobertas que realmente é.
Ainda que seja sempre indiscutível a importância da escola no processo de aprendizado, vem se impondo, cada vez mais, o consenso de como é importante a contribuição da família para contagiar os filhos quanto ao saudável interesse por livros, jornais e revistas, com o cuidado de ressaltar o que significa, na consolidação da autoestima de cada um, o fato de tornar-se informado, atualizado e competente para o exercício de futuros desempenhos profissionais.
Fonte: Diário do Nordeste

sábado, 19 de fevereiro de 2011

A coisa está esquentando!

As eleições municipais, em Itajubá, estão dando o que falar. Ajudei a dar o start nas discussões, postando um texto aqui sobre os nomes que já estão na berlinda. A partir daí, comentários de pessoas ligadas, de alguma forma, ao tema e postagens no blog do Zezinho Riêra - que já quis ser prefeito e hoje comenta e analisa o cenário político local - estão dando sequência a esta importante discussão para que a cidade possa avançar.
Tem gente que torce o nariz porque enxerga que essa discussão restringe-se a nomes, viabilidades eleitorais, interesses individuais. Mas eu entendo que é preciso aprofundar mais a discussão. O que deve estar na pauta, mais do que puramente nomes, é programa, política pública que cada grupo pode oferecer, condições de governabilidade. Nome é importante, claro, mas história e comprometimento político são muito mais.
Hoje, participo de uma reunião do Partido dos Trabalhadores em que a conjuntura local estará na pauta. Tenho uma tese a defender, baseada na experiência que venho acumulando na política local, desde 2001, quando iniciei no rádio aqui em Itajubá. De lá para cá, vi muita coisa acontecer. Vi sob vários ângulos. Vi com o olhar de quem está dentro da organização partidária; vi também com os olhos de cidadã; sob a ótica eleitoral, quando das minhas contribições em campanhas; vi também com os olhos de quem participou de governo municipal. Conheci mais de perto as pessoas que estão fazendo a política de Itajubá, suas intenções, sua forma de atuação.
Minha tese, por motivos óbvios, não vou escancarar aqui, já que se trata de uma discussão que ainda está no âmbito do partido. Só gostaria de manifestar meu desejo de que as alianças, as aproximações de partidos e/ou pessoas, não tenham apenas o critério da viabilidade eleitoral. Governo construído sobre esta base não faz cidade nenhuma avançar. É preciso ter afinidade programática, responsabilidades definidas, ideais e ações não-conflitantes. 
É isso!