segunda-feira, 14 de março de 2011

Anonimato na rede

Os textos que coloco aqui recebem comentários não aqui, mas no meu facebook. Interessante isso. É uma rede mesmo, em que os vários ambientes estão ligados. Twitter, Facebook, o caduco orkut, blogs de toda espécie e por aí afora. Uma rede que, infelizmente, é muito usada pelos anônimos. Não adianta. Não consigo me convencer de que o anonimato mereça consideração e respeito. Pessoas que reclamam, gritam, criticam, ironizam, zombam, reivindicam... que força podem ter se não tem sequer a coragem de assumirem quem são? Não tem nome nem rosto. É cômodo se esconder atrás de um nome falso, de uma identidade fantasma. E acho, inclusive, que quem não mostra a cara é conivente com as coisas 'erradas' que tanto critica.
Dar a cara pra bater, manifestar ideias e opiniões em público ou, simplesmente, realizar ou participar de algo (e levar porrada ou elogio por isso) como faz o Zezinho Riera, em seu movimentado blog. Isso sim é difícil. Esse é corajoso. Tem opinião, doa a quem doer. Concordemos ou não com ele - eu, na maioria das vezes, discordo - está se expondo, se sujeitando ao desgaste todo que as pessoas que têm opinião sofrem.
Estou certa de que as pessoas entendem que não me refiro aqui ao conteúdo das falas anônimas. Isso é outra história, com quilômetros de distância desta. Falo sobre a atitude do anonimato. Sou e serei radicalmente contra qualquer tentativa de se proibir o anonimato na rede, mesmo que isso seja possível. Não acho que seja caso para ser resolvido por lei, mas é caso de reflexão individual, da pessoa pensar se mais ajuda ou atrapalha não participando de verdade, mas olhando e gritando por detrás da cortina.

Professor Renato Nunes, reitor da Unifei, leitor assíduo de blogs como este, dialoga 'tecla a tecla' de forma transparente. Admiro.

sábado, 12 de março de 2011

4 estações

Estou à frente do computador escolhendo um assunto pra rabiscar aqui. Geralmente, nas minhas matérias jornalísticas, começava mesmo pelo título. Pode parecer óbvio, mas não é regra geral. Muita gente escreve o texto todo e, só depois, dá o título. Eu nunca funcionei assim. Quando dava o título, é porque já tinha a matéria toda na cabeça. Sabia como começar, meiar e finalizar o texto.
Hoje, não foi diferente: queria pensar em algo sobre o quê escrever. Repensei o dia de hoje, que teve um pouco de tudo: alegria e dor, medo e coragem, otimismo e o contrário, frio e calor. Dei o título já sabendo que a sensação das 4 estações foi a que tive hoje.
Hoje, 4 estações passaram por mim. Tudo ao mesmo tempo agora. Não quero escrever sobre nenhuma delas especificamente, porque, depois de um ciclo completo num dia só, faltam-me forças.
Neste momento, estou em pleno outono: minhas folhas caem sem dó. Espero acordar amanhã com o céu azul do inverno que tanto me traz alegria. Chuvas vão voltar, tenho certeza, mas por hoje chega. Estou outonando. E nada mais quero.

terça-feira, 8 de março de 2011

Pra Chico Buarque (No dia Internacional das Mulheres, para quem melhor sabe traduzir a alma e os desejos femininos)


Se eu fosse escrever, pareceria tolice.
Elogio, lugar comum.
Se tentasse explicar, seria estúpida.
Ofereço-lhe meu silêncio.
Eu, que te ouço, e nem quase respiro!

segunda-feira, 7 de março de 2011

Vida desregrada no Carnaval

Ai como é bom tirar licença das regras e lançar-se ao desgoverno, de vez em quando. Foi o que aconteceu neste carnaval. Casa cheia de sobrinhos já adultos, com quem se pode trocar ideias, bater papo de gente grande, dormir até a hora que se quer, ir pra cama quase que na hora do sol raiar. Fazer a comida na hora que o estômago grita, deixar para pôr o lixo pra fora só depois, arrumar as camas pra quê, já que, logo logo, a gente vai deitar de novo.
E, em plena segunda-feira, poder ficar horas em frente ao computador pescando raridades no You Tube e compartilhando no Facebook. O mundo está dentro de casa. A chuva ajuda.
Mas desgoverno dura pouco. Quarta-feira está aí e a roda começa a rodar de novo.

sábado, 5 de março de 2011

Rastaquera

Ah, que pena. Usei a palavra rastaquera no texto abaixo, porque achava que ela queria dizer chinfrin. Descobri que não é. Rastaquera é o indivíduo que ostenta luxo, exageradamente, coisa típica de novo-rico. Chico Buarque usou a palavra lindamente na música da foto que não era para capa. Ele dizia: o larápio rastaquera....
Não vou retirar a palavra do texto. No meu texto, ela terá o significado que eu pensei pra ela. Com licença.
É só.

Um sonho possível de Carnaval, em Itajubá


A batucada do samba toca fundo em mim. O toque dos tambores parece que vibra na mesma frequência do meu coração. Romântico, não? Mas é serio. Na hora que passa a bateria, pode ser do bloco mais rastaquera do mundo, fico extasiada.
E como estamos em época de batucada, em pleno Carnaval, fico pensando cá com meus botões como é que uma cidade como Itajubá poderia aproveitar o Carnaval. Aproveitar o ano inteiro e não só nos dias da festa. Aproveitar como educação, como fonte de renda, oferta de lazer, organização social. O Carnaval é uma escola. Uma escola de samba e vida.
É possível para Itajubá ter um espaço - nos moldes de um galpão - com oficinas de costura, design de fantasia e alegoria, composição de letra e música, ritmo, dança, percussão .... e tudo mais que o universo do Carnaval invoca. Isso tudo rolando durante todo o ano. Todos trabalhando sob encomenda para escolas da cidade e de fora dela. Tendo lucro e, ao mesmo tempo, aprendendo, desenvolvendo novidades, criatividade. Oficinas gratuitas para a molecada aprender a tocar tambor, sambar e aproveitar o bom da vida.
Para animar, o espaço teria roda de samba todo fim de semana, com renda revertida para o projeto. Temos público certo para os bares de Itajubá e aproveitaríamos essa plateia para curtir o samba e tomar sua cerveja nessa Casa de Samba ou Casa do Carnaval ou algo que o valha.
Os grupos já organizados poderiam explorar o espaço - a cada fim de semana uma turma - para que a renda seja revertida para a escola brilhar no fim do ano.
Tudo isso com um bom marketing, vendendo a tecnologia do Carnaval para todo o Estado e também para o País.
Quando fevereiro chegasse, a cidade toda estaria pronta, viva, mais rica e feliz. E as cabrochas pendurariam a saia no amanhacer da quarta-feira.