sexta-feira, 22 de abril de 2011

Corrupção eleitoral!


Lá pelos idos de 1970 e poucos, quando eu era desse tamaninho aí da foto, venci este concurso de mini-miss na Escola Estadual Major João Pereira, em Itajubá. Primeiro, registro aqui, tantos anos depois, minha absoluta revolta com escolas que ainda hoje fazem isso, de escolher alguém pela carinha bonita que possa ter. Mas, naquela época, isso era comum e acho que ninguém se tocava do dano que isso poderia causar. Espero, sinceramente, que as escolas de hoje não usem mais essa prática.
Bem, mas naquela época, além da barbaridade dos concursos de beleza, esse aí foi ainda pior: era compra de votos pura. As meninas recebiam um bloquinho e cada cupom valia um voto. Quem vendesse mais, para arrecadar dinheiro para a caixa escolar, ganhava o concurso. Na delegacia de ensino, onde minha mãe trabalhava, rachei de vender votos. Só me falta uma peça nesse quebra-cabeça: será que todas as meninas da escola recebiam isso? Ou só aquelas que tinham condições físicas e estéticas para concorrer? Imagino que aí, desde a distribuição dos cupons, já houvesse uma escolha entre as 'melhores', não é?
Bem, mas fui mini-miss e ainda ganhei Seiva de Alfazema de presente! Deus nos livre disso. Não da seiva, que ainda tenho saudade do cheirinho, mas dos concursos de beleza.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Se a Débora Kerr que o Gregory Peck

Como eu ia dizendo, o Doutor Ricardo, que acabei conhecendo um pouco melhor ontem, está terminando a obra do que ele tem chamado de cineclube Itajubá. Fica naquela galeria do Edifício Virgínia de Oliveira, na Rua Doutor Pereira Cabral, rua da Caixa Econômica Federal, onde funcionou o Teatro Santa Cecília, do guerreiro e incansável Breno Carvalho.
Pois bem, o Doutor Ricardo não pretende que ali seja uma sala comercial, para exibição de lançamentos do mercado, mas um cinema para filmes clássicos, curtas ou de arte. Para isso, ele quer mobilizar a comunidade para a formação de um cineclube mesmo, em que as pessoas contribuem mensalmente e têm uma programação mensal à disposição.
A ideia dele vai muito além disso, mas é preciso que o tempo faça as coisas acontecerem ali. A curto prazo, o que eu me dispus a fazer para ser parceira dele é mobilizar gente que gosta de cinema, espalhar a notícia, juntar um grupo de pessoas que quer voltar a ver filme na telona em Itajubá.
Aos que me acompanham aqui e que interagiram bastante quando, dias atrás, a gente conversou sobre a saudade do Cine Presidente, fica o convite para se engajar nisso. Se não quiser se associar, pode comprar ingresso para sessões isoladas.
Combinei com o Doutor Ricardo que ajuntaria um grupo para um primeiro filme no cinema. Isso para depois deste feriado, provavelmente quarta-feira da próxima semana. Fica aqui o convite e a pergunta no ar: quem quer ir? Mande um comentário por aqui (pra quem consegue) ou no meu facebook. Os interessados podem indicar outras pessoas também.
Depois de fechar com ele, informo sobre o dia certinho e o horário. Ah e também aceitam-se sugestões de títulos de filmes clássicos que possam ser exibidos para nosso deleite.
Então, fiquem atentos às minhas postagens no blog e no face para que a gente possa estrear aquele simpático, charmoso e tão esperado cinema.
É assim que eu gosto: cidade viva, com cultura correndo pelas veias. Vamos contribuir ao menos um pouco com isso.
Até mais ver, pessoal!

terça-feira, 19 de abril de 2011

Fui ao cinema hoje, em Itajubá



É verdade. Assisti hoje a um trecho de um filme com Bruce Willys, charmosamente fardado de policial, em Pittsburgh. Isso foi às duas da tarde, no centro de Itajubá, igualzinho quando a gente pegava uma matinê no Cine Presidente. Sentei numa cadeira do Cine Presidente, o projetor, idem. Minha memória estava lá, 20 anos atrás, na praça do relógio. Não é sonho não. Graças a um cinéfilo idealista, o espaço está quase para ser inaugurado em Itajubá.
O proprietário conta que chegou à cidade justamente no dia em que estavam acabando de vez com o Cine Presidente. Ficou muito chocado porque tinha gente marretando - literalmente - as cadeiras, para tirá-las lá de dentro. Pouco mais de 60 delas estão hoje neste novo espaço, recobertas não com os antigos rosa e azul, mas com vermelho.
Foi emocinante voltar ao escurinho do cinema na minha cidade. Ele testava o projetor e o som e eu pude assistir ao tal trechinho do filme. Nem sei quanto tempo fazia que eu não via um filme em tela grande. Como é mágica essa experiência. Nada se iguala a ela. É só você e o filme. Bruce Willys, hoje à tarde, estava numa perseguição policial roliudiana. Quanta emoção! Não vi o fim do filme, tomara que ele tenha conseguido pegar o assassino, que protagozinou a primeira cena do filme, jogando num rio caldaloso o corpo de uma mulher.
Aguardem mais informações sobre isso porque me juntei a esse idealista e realizador nesta grande iniciativa, tão aguardada por quem também ama a 7ª arte.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Dia cheio de historinhas de vida real

O cotidiano
Durante um dia, ou melhor, apenas nas horas úteis do dia, vejo cenas simples e corriqueiras sobre as quais me dá uma enorme vontade de escrever. Já tentei andar com um caderninho na bolsa pra não deixar a idéia fugir, mas não deu certo. Não me adaptei a este método. Vou é tentar lembrar de todas as coisinhas e coisonas que me chamaram a atenção hoje.
- Já cedo, no caminho do trabalho, andei pensando sobre a ressaca que se abate sobre Itajubá às segundas-feiras. Na absoluta falta de ter o que fazer, a moçada vai pra rua mesmo, na noite de domingo, compra uma garrafa de bebida barata num supermercado de plantão e, no fim, enche os bueiros e as pobres sarjetas de sujeira: copo, garrafa, pacote de salgadinho... É uma ressaca mesmo. Uma pena que as pessoas não tenham educação e não entendam o espaço público como sendo seu. Público é sem dono, feito pra sujar mesmo, pensam os que não têm a sorte de serem alvo de um processo cotidiano e eterno de educação.
- Na passagem pela praça central, uma ‘demanda espontânea’ para o deputado me fez parar na rua. Em seguida, um velho conhecido acena e grita de longe: - e a manchete? – Que manchete? Certamente, ele se referia à notícia recente de que o PT, partido ao qual pertenço, decidiu em reunião que teria candidato próprio na próxima eleição municipal. Caraca, o negócio gerou uma falação, um chororô danado. Pelamordedeus! Não carece tanta polêmica, qualquer partido tem direito a lançar candidato. Coligações não são eternas nem aqui nem em lugar nenhum.
- Em casa, enfrento mais um dos desafios que a maternidade impõe a todas nós: fazer o curativo no nariz do filho que foi operado. Patife no último com sangue e enfermidades em geral, respiro fundo e troco o curativo do meu bebê (diga-se de passagem, um bebê universitário). Egoísmo meu dizer que respiro fundo porque ele mesmo não consegue respirar pelo nariz. Agonia pura essa história de ter uma obstrução no canal de entrada do ar. Ninguém merece isso. Aliás, essa é a coisona sobre a qual preciso usar mais letras para escrever. Na última semana, enfrentei a dificuldade de ter que entregar o filho nas mãos de um cirurgião e um anestesista. Se não fosse a fé em Deus e a confiança que depositei nos médicos, eu não resistiria. Chorei feito criança, rezei feito uma beata, sofri como uma condenada. Isso só confirma minha certeza de que o que mais desejo a todas as pessoas neste mundo é que seus filhos tenham saúde. O resto é nada.
Hoje, depois da cirurgia bem sucedida, mas com a dor recente ainda fresca na memória, vi uma jovem mãe com um garoto no colo, na sala de espera do médico. Menino doente, raquítico, com olhar distante, corpinho desconjuntado. Meu Deus, tenha compaixão, era a única coisa que eu me permitia pensar. De longe da recepcionista, a mãe consulta sobre o dia em que podia fazer um exame. 30 de maio. Só tem vaga para 30 de maio. Isso numa clínica particular, que aceita bons convênios. E o SUS? Se esta resposta fosse dada numa unidade pública de saúde, era motivo pra radialista sair gritando por aí. É preciso olhar para o todo, ter uma visão macro das coisas e não fragmentá-las e se equivocar nos julgamentos.
Na clínica, de repente, o avô entra com o outro filho da moça. Calculo que sejam gêmeos, pelo tamanho. Um saudável, correndo pela sala de espera, o outro, com o olhar distante. Meu Deus, saúde é o que desejo sempre, sempre e sempre.
- Na Internet, essa maravilhosa máquina de reaproximar as pessoas, reencontro uma antiga amiga de escola, Regiane Ladislau, que, fiquei sabendo depois, é seguidora minha aqui no blog. Salve Regiane, bons tempos em que os trabalhos e as provas eram as maiores preocupações da nossa vida.
- Na farmácia, no início da noite, uma moça, com todo o frescor que a juventude dá, sobe na balança e diz pro namorado, que está na fila: - cancela o jantar! Santo Deus, como pode, né? Com seus 20 anos, corpo magrinho e bonito, a menina está preocupada com os ponteiros da balança (aliás, a balança é digital). Que escravidão essa que as pessoas são submetidas de que têm que ficar magras e gostosas.
- Dia cheio de crônicas, de personagens, de pequenas e corriqueiras histórias reais.
Até amanhã!

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Cultura promove transformação social e econômica

Pesquisa divulgada ontem e realizada pela Federação do Comércio do Rio mostra, para nossa alegria, que o brasileiro está avançando em termos de hábitos culturais. Ir a um cinema – nas cidades benditas que têm um – assistir a um show ou ler um bom livro são atitudes mais comuns hoje que em anos anteriores. Mesmo assim, os números são incrivelmente baixos. Bem, se por um lado é motivo pra comemorar o aumento de 13 pontos percentuais no número de brasileiros que freqüentaram alguma atividade cultural em 2010, por outro, é mais importante ainda refletir sobre esse tímido comparecimento do brasileiro aos ambientes culturais. Segundo a pesquisa, o baixo índice não se deve ao preço do ingresso nem à falta de opções culturais, mas a falta de hábito mesmo.
Aí é que eu questiono. As pessoas não têm o hábito porque ele não é cultivado ou incentivado. E como é que se incentiva? Oferecendo opções de cultura. Não tem outro jeito. É mostrando o quanto é bom ir a uma peça teatral, a um show ou ao cinema, ler um livro interessante ou participar de uma exposição legal. É assim que se cria o hábito. É fazendo. Igualzinho à leitura. Aprende-se lendo. Não tem fórmula mágica. Não existe um comprimido que, tomando, faz a pessoa querer sair correndo pra ir ao teatro. Infelizmente.
E o papel do poder público nisso é fundamental. Considerando que a cultura promove transformação social e econômica, é dever do poder público estimular não só o acesso aos meios de cultura, mas a produção local de cultura. Já disse isso e repito, é muito mais importante investir o dinheiro público oferecendo condições para que as pessoas desenvolvam suas potencialidades do que oferecer o espetáculo pronto.
No Expresso da Cultura, realizado recentemente pelo Ulysses – hoje deputado – uma pesquisa informal também foi feita neste sentido. Constatou-se que 70 e la vai pedrada por cento nunca tinham ido ao teatro. Outros tantos nunca tinham ido ao cinema. Uma pena, grande pena! Itajubá não tem teatro enquanto espaço físico e acho que nenhum grupo resistiu à falta de apoio. Não tem cinema, pois, assistimos às Casas Pernambucanas tomar o lugar da tela, impunemente, sem que nada pudéssemos fazer. Mas, por outro lado, mesmo sem um teatro físico, quando tem gente apaixonada pela arte, incentivada a isso, a coisa acontece até no meio da rua. Mas tem que ter apoio, incentivo. E a tradução disso é orçamento. Não se prioriza só no discurso, mas no orçamento. Em Itajubá, assim como na grande e absoluta maioria dos municípios brasileiros, o orçamento pra cultura é risível. Aí fica difícil resitir, não há amor à arte que sobreviva de vento.
Artista tem que ter trabalho o ano inteiro. Tem que ser pago para oferecer formação artística e para mostrar sua arte. Cultura pode dar dinheiro, pode gerar emprego, pode promover uma profunda transformação social. É isso!

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Precisamos de coisas que elevem a alma

Ando meio afastada aqui do blog, mas acho que estou mesmo é com preguiça. Uma preguiça enorme de falar, de dialogar, de querer convencer alguém de alguma coisa, de tentar ajudar esclarecer, de argumentar............ quanta coisa que dá trabalho!
Estou com muita preguiça de dar continuidade a tantas conversas de pessoas que me param na rua para saber minha opinião sobre isso e aquilo. Querem saber se ouvi a rádio tal, a entrevista tal, a carta no jornal tal..... Ai que preguiça, Deus meu!
Preguiça porque é tudo tão pequenininho. Tanta coisa importante de verdade pra se pensar e fazer e as pessoas gostam de se ocupar com uns detalhes que só servem pra cansar os nossos ouvidos e olhos, os nossos sentidos. Gastam um tempo enorme desfiando mágoas, rancores, ódio mesmo, eu diria. A motivação principal não quero nem pensar qual é. Só sei que tô cansada de tanta conversa que devia é ser jogada fora. Há tanto a se fazer em nossa cidade, tanta oportunidade a não se perder, tanto potencial pra se explorar.... e, sinceramente, tenho preferido ouvir Astor Piazzolla, que eleva a alma, faz a gente ver o quanto o ser humano é capaz de produzir, o quanto o homem é dono de um poder incrível de transformar o mundo. Preguiça de quem usa seu tempo para xingar, reclamar, dar corda pra picuinha, pra quem gosta de estimular o mal feito.

domingo, 20 de março de 2011

O muro de arrimo da discórdia

Quem acompanha as notícias, em Itajubá, entende o motivo do título deste texto. Em mês de aniversário de uma cidade, é comum que as prefeituras divulguem a programação de comemoração. Em Itajubá, entre a programação dos 192 anos da cidade, constou a inauguração de um muro de arrimo numa escola municipal.
Não é preciso ser muito inteligente para saber que, obviamente, a Prefeitura deu, de mão beijada, para os críticos mais ferinos, um prato cheio. Inauguração de muro de arrimo? kkkkkkkk, zombavam os tais.
Venhamos e convenhamos, quando a gente faz uma reforma na casa, constrói uma piscina, um jardim interno, a gente até pode fazer uma festa de inauguração, chamar os amigos mais chegados e brindar aquela conquista. Mas, desconheço que alguém chame os amigos pra brindar o desentupimento do esgoto, a limpeza da caixa de gordura ou a troca de azulejos quebrados.
Por outro lado, acho importante sim a construção de um muro de arrimo numa escola. Especialmente nesta, onde havia risco para a criançada. Apesar da gravidade da situação, era uma reivindicação antiga, agora satisfeita pela administração. Ainda outro lado: a Prefeitura é obrigada por lei a dar publicidade a tudo o que realiza, com o quê e quanto gasta. Portanto, precisa divulgar sim que construiu o tal muro e quanto custou isso.
Só acho que a Prefeitura poderia ter se poupado das línguas contrárias, não tratando deste muro como algo a se inaugurar com festa. Melhor teria sido se se divulgasse, de forma impressa, um balanço dessas obras de manutenção, com seus custos e benefícios, mas que não se soltasse rojão por elas.



MUSEU WENCESLAU BRAS


Como parte da programação do aniversário de Itajubá, o melhor momento foi o da entrega do Museu Wenceslau Bras, em estação ferroviária restaurada. Festança em frente ao museu, com direito a longos discursos, hinos e banda, a devolução daquele belo prédio é, sim, motivo para festa. Iniciativa da administração anterior, que deu o start no processo, a restauração, levada adiante pela atual, devolveu à cidade um lugar charmoso, que estava se deteriorando aos olhos de todos, penalizados.
Enquanto agonizava, a estação ferroviária servia de palco para a miséria humana dar seu espetáculo. Bêbados, mendigos, sujinhos, faziam de tudo ali, ao alcance fácil fácil dos olhos e narizes de todos nós. Uma ferida aberta, que sangrava todo dia na nossa cara, de um mundo de desiguldades no qual nos esbarramos em muitas esquinas.
Durante a inauguração, assisti ao desabafo de uma das mulheres que viveu ali, na plataforma da estação, por cinco ou dez anos, segundo sua mente bêbada e imprecisa. "Aqui era a minha casa, naquele canto ali era o bosteiro e agora, ninguém quer saber em que ponte que nóis tá", gritava ela, tentando ser ouvida em meio a multidão, encantada. Voz rouca, não adiantou tentar ser ouvida.
Memória restaurada, muro de arrimo nas rodinhas de conversa, necessidades satisfeitas em bloquetes, asfaltos, praça novinha.... É isso!