sábado, 2 de julho de 2011

A alegria, tão rara às vezes.


Alegria, otimismo e esperança andam sempre de mãos dadas. Mas tem gente que, infelizmente, não aprendeu como é bom experimentar este trio. Tenho compaixão por essas pessoas que não conseguem viver alegremente e, ao contrário, esperam sempre o pior, passam os minutos do dia como se fossem cargas pesadas colocadas sobre seus ombros. Isso me entristece porque há nada, ou quase nada, que se possa fazer por quem associa a alegria à culpa. E sofre, sofre e sofre como se isso fosse a garantia da entrada no céu.
Deus, tenha pena dessas pessoas, ensine-lhes que a vida é um presente e não um fardo, que os obstáculos são importantes para o aprendizado e não uma tortura. Até sofrer com alegria é possível. Sofrer com aceitação de que algo está nas entrelinhas daquele sofrimento. E que ele deve servir para ser transformado em alegria de novo. Com fé, se consegue.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Comentários antigos

Tenho sido displicente com o blog sim. Mãozinha à palmatória. E, por vezes, encontro um comentário que eu ainda não tinha visto, num texto antigo. Pessoal, I'm sorry, mas tá complicado. Vou procurar ser mais assídua ao meu próprio espaço. Vai entender, né? Ando sumida de mim. É verdade, dedicação ao meu trabalho, aos meus meninos, cabeça e coração (nem sempre o corpo) nos pais... eu mesma quase não tenho me visto por aí.

Pra marcar este momento importante, em que a hipocrisia está sendo desmascarada em nosso país!

Gostei muito deste texto, que está no blog Sem Juízo

....cruzada religiosa combate direitos civis de gays....

Não são eles os primeiros que deveriam se destacar pela defesa do amor, da solidariedade e do abrigo aos mais vulneráveis?


O vereador Carlos Apolinário, ligado à Assembleia de Deus, apresentou proposta para criar em São Paulo, o dia do "orgulho hetero", levando o projeto para votação às vésperas da Parada Gay.

A Marcha para Jesus virou palco de repúdio à decisão judicial que garantiu a união estável homoafetiva, tendo como principal estandarte que "o verdadeiro Supremo é Deus".

A deputada Myriam Rios, hoje missionária católica, fez pronunciamento na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro propagando a expressão "orientação sexual pedófila". Dizia ter medo da proximidade de uma babá lésbica a filhas pequenas ou do assédio de um motorista travesti sobre seus meninos.

Porque a incorporação de direitos civis aos homossexuais está incomodando tanto assim aos ativistas da religião?

Não são eles os primeiros que deveriam se destacar pela defesa do amor, da solidariedade e do abrigo aos mais vulneráveis?

Onde estão as tradicionais preocupações com desigualdades sociais e manifestações de fraternidade?

Há quem diga que os grupos religiosos se sentiram intimidados com a proposta de criminalizar a homofobia.

Paradoxo dos paradoxos, pois a punição do preconceito é justamente o combustível para a liberdade de crença.

Em algum lugar do mundo, membros das mais diversas religiões já sentiram na pele o terror do preconceito e da intolerância. Como reproduzi-lo, então?

Depois da decisão do STF que autorizou a Marcha da Maconha, reconhecendo o legítimo direito à manifestação, muitos disseram em um misto de birra e revolta: se vale defender a maconha, vale falar qualquer coisa. Acabou-se a mística da homofobia.

É uma ideia equivocada.

Como bem explicou o ministro Celso de Mello, em voto primoroso, a liberdade deve ser garantida para expressar os mais diversos pensamentos. Mas nunca para ferir -o Pacto de San José da Costa Rica, que o país subscreveu, exclui do âmbito protetivo da liberdade de expressão todo estímulo ao ódio e ao preconceito.

Propor a legalização da maconha é legal. Dizer que os homossexuais são promíscuos, não.

Reverenciar o "orgulho hetero" também não é o mesmo que fazer uma parada gay -assim como prestigiar a consciência negra não se equipara em louvar o "orgulho branco", típico dos sites neonazistas.

A diferença que existe entre eles reside na situação de poder e de vulnerabilidade.

Os movimentos negros e gays se organizam pela igualdade e procuram combater a discriminação - o "poder branco", memória do arianismo, busca exatamente reavivá-la. Não quer igualdade, quer supremacia.

Basta ver que a proposta do "orgulho hetero" se impõe como um resgate da "moral e dos bons costumes", tal como uma verdadeira cruzada.

Por fim, mas não menos importante, a absurda vinculação entre homossexualidade e pedofilia.

Não é grave apenas pelo que mostra -um profundo desconhecimento da vida. Mas, sobretudo, pelo que esconde.

Jogar o defeito no outro, no diferente, naquilo que não nos pertence, é o primeiro passo para esconder o mal que nos cerca, e assim evitar sua punição.

Em vinte e um anos de judicatura criminal, vi inúmeros padrastos molestaram sexualmente suas enteadas, tios violentarem suas sobrinhas e até mesmo pais condenados por estupros seguidos em meninas de menos de dez anos. Na grande maioria dos casos, os crimes são praticados por heterossexuais.

Não se trata de tara, perversão ou qualquer outro atributo de fundo moralista. É simplesmente violência.

Misturar as estações não é ruim apenas por propagar um preconceito infundado. Mas por nos distanciar do problema e, em consequência, da solução.

Quando um dogma supera as lições que a vida nos traz, quando o apego à filosofia é maior que o amparo a dor, quando até o sempre solidário cerra os punhos, um sinal de alerta se acende.

É preciso relembrar que somos todos humanos.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Com a cara na porta

Zezinho Riêra disse em seu polêmico Viver é Perigoso que tem batido com a cara na porta aqui no blog. É verdade. Ando mandando dizer que não tô, como brinquei com ele. Mas é que a vida tá tão complicada por esses tempos. Num mesmo dia, vivo emoção cheia de alegria ao me encontrar com meu povo do extinto Coral de Milho Verde, que aliás, se apresentará no próximo dia 16, outras alegrias ao ir ao cinema (em Itajubá), assistir a uma orquestra no teatro (em Pouso Alegre, para a felicidade do povo de lá) e as tristezas de ver a dor do meu pai, que está perdendo o brilho dos olhos azuis.
Num mesmo dia, muitos anos passando pela cabeça. Uma esperança renovada e outra indo embora. Um suspiro de prazer e outro de agonia. Uma palavra boa e outra saudade.
É a vida! É o que tem pra hoje!

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Na minha cidade tem poetas

Quisera eu escrever como os poetas que, assim como os cegos, podem ver na escuridão. A letra é de uma canção que foi gravada por Milton Nascimento. Dedicada aqui a Gildes Bezerra, pra me redimir por ter perdido dia de homenagem a ele prestada, no último domingo:

GUARDANAPOS DE PAPEL -  Leo Masliah / Carlos Sandroni

Na minha cidade tem poetas, poetas
Que chegam sem tambores nem trombetas
e sempre aparecem quando
Menos aguardados, guardados,
Entre livros e sapatos, em baús empoeirados
Saem de recônditos lugares, nos ares,
Onde vivem com seus pares,
e convivem com fantasmas
Multicores de cores, de cores
Que te pintam as olheiras
E te pedem que não chores
Suas ilusões são repartidas, partidas
entre mortos e feridas,
mas resistem com palavras
Confundidas, fundidas,
Ao seu triste passo lento
Pelas ruas e avenidas
Não desejam glorias nem medalhas,
se contentam
Com migalhas,
De canções e brincadeiras com seus
Versos dispersos,
Obcecados pela busca de tesouros submersos
Fazem quatrocentos mil projetos
que jamais são
Alcançados, cansados, nada disso
Importa enquanto eles escrevem,
o que sabem que não sabem
E o que dizem que não devem
Andam pelas ruas os poetas,
Como se fossem cometas,
Num estranho céu de estrelas idiotas
E outras e outras
Cujo brilho sem barulho
Veste suas caudas tortas
Na minha cidade tem canetas,
Esvaindo-se em milhares,
De palavras retrocedendo-se confusas,
em delgados guardanapos
Feito moscas inconclusas
Andam pelas ruas escrevendo e vendo
Que eles vêem nos vão dizendo,
E sendo eles poetas de verdade
Enquanto espiam e piram e piram
Não se cansam de falar
Do que eles juram que não viram
Olham para o céu esses poetas,
Como se fossem lunetas, lunáticas
Lançadas ao espaço e ao mundo inteiro
fossem vendo pra
Depois voltar pro Rio de Janeiro